sábado, 23 de agosto de 2014

Desfazer a mala é se desfazer por dentro...

Demorei quase nada para planejar a viagem que faria sozinha e, com certa antecedência, escolhi as roupas para o calor do mar do Caribe e que usaria em cada ocasião que pudesse acontecer. Duas maletas pequenas era tudo do que precisava. Não sou dona de vaidades, portanto, um batom me basta, assim como um rímel, dois aneis e alguns brincos para trocar, caso precisasse. Chinelos e dois sapatos, vestidos e biquini. Pouca coisa carrega-se para o Caribe. A ansiedade pelo simples acontecer, fez com que deixasse as bagagens prontas, reservando para a véspera do embarque, os últimos utensílios e detalhes, aqueles de higiene... é incrível a rapidez com que se planeja o futuro quando o assunto é prazer. Idealizava lugares, esperava por aventuras solitárias que costumam se apresentar para mim quando menos imagino. E elas aconteceram esmiuçadamente, sem roteiro e com intensidade. No entanto, o voltar te traz de volta do futuro para o presente em um pulo. E isso significa muito. Viajar é se afastar de tudo, procurar o que você não conhece, perder as referências. Mergulhada nesse "futuro", você encara seu passado e se distancia dos erros, dos acertos. Procura soluções frias, concretas, palpáveis, compreensíveis. A contemplação ajuda no processo. O vento forte que sopra na proa do navio e lambe seus cabelos, deixando-os desalinhados, também age como bálsamo na alma. Lava e leva tudo, renova, limpa, purifica. A ventania faz bem e pude perceber que estava com saudade dela. Além do seu barulho - barulho que o vento tem -, nada mais soa no convés. É você, o mar, o céu e o sol de mãos dadas. Nesse momento, não está mais sozinha, apesar de não haver ninguém ali, só você com você. Sotaques, idiomas do mundo inteiro, comidas com nomes estranhos e gostos nunca antes provados aguçam todos os seus sentidos. Fica-se mais alerta, mais desperto, mais inteiro. Sozinha, precisa cuidar de si e do entorno, com maior atenção. Viajar te ensina a ser, a renascer. Conhecer pessoas interessantes que poderiam, tranquilamente, terem sido amigos de uma vida inteira, outras de trabalho. Gente que te toca na emoção. Por que longe, tudo é emoção. Em uma viagem fica-se feliz em notar-se poliglota na linguagem universal que é a gentileza, o sorriso, a alegria. Talvez, por isso, seja tão difícil desfazer as malas, no retorno. Intactas, elas estão ainda no mesmo canto no qual as deixei quando entrei em casa, cheia de saudade. Há algo de triste em tirar tudo dali e devolver ao guarda-roupa, à sapateira, ao armário do banheiro. Significa que você regressou, na verdade, ao mesmo motivo que te levou embora, há alguns dias, seja ele bom ou não. Quer dizer que você terá que se reorganizar, colocar o que aprendeu em prática, pôr tudo em seu devido espaço, inclusive o que já fazia parte da sua vida. Te obriga a rever o lugar das coisas que levou. Elas ainda cabem nas mesmas prateleiras? Estão sujas e têm que ir para a lavanderia? Outras podem subir para junto das roupas de verão? Decisões. Nem sempre queremos tomar. Deixar para depois é mais fácil. Afinal, as malas estão ali, no canto... esperam. Tudo o que seus olhos viram, suas mãos tocaram e seu coração sentiu voltam na mesma bagagem, disputando cantos com seus objetos pessoais. As reflexões, indagações e conclusões que os cenários te proporcionaram vêm junto, estão ali, entre o vestido e a sandália. Tudo o que levou se acumula, ao voltar, com aquilo que aprendeu e sentiu por lá e, consequentemente, chegando em casa, tem que saber o que fazer com cada item, com cada sentimento novo ou antigo. Desfazer as malas...é o mesmo que se desfazer por dentro...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Uma chave em mim...

Tem uma chave quase virando em mim... está lá dentro, pronta pra girar no sentido que a vida mandar. Me dei conta de que não posso esperar meus cabelos embranquecerem de todo e afinarem, minha pele enrugar em todos os cantos, meus olhos, nariz e boca caírem para perceber que a vida passou e nada de melhor fiz com ela. É agora que posso mudar, transgredir, me movimentar. É nesse meu presente que grita, onde posso transformar, perceber e construir novas realidades. O mundo quer me receber e estou indo ao seu encontro. Aos poucos, sinto outros cheiros, outros olhos, outros gestos, outras risadas. Ah, como necessito de risadas. Estremeço se dizem bem, sim, mas... também estremeço se me fazem rir... obrigada pelo som das novas gargalhadas... Nada é fácil, tudo é construção. Mas tudo flui se assim a gente deixa. Toda vez em que abro meus olhos pela manhã, sinto que um dia a mais ficou para trás. Por isso, tenho que fazer o meu hoje ficar melhor, pra não deixar que passe a vida toda arrependida, vazia, com medos. Olhando para trás e imaginando... não quero imaginar... quero fazer, concretizar. Viver, experimentar. Correr, sentir, ter prazer, viajar, acompanhar. Quero sentir o vento, ser livre pra escolher. Tenho certeza de que estou no caminho... no caminho do meio, mas no caminho...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Nova Era....

Era.... Não é mais... nada está no mesmo lugar... tudo se modificou, dentro e fora... tudo está do avesso... agora a confusão é toda minha... ela me abraça, me faz amor e não me beija na boca... ainda... Era.... Era uma vez, era... O que era bom se acabou? Acho que não... Foram muitas vezes..... por muitos e muitos anos.... E, olha aí, outra vez.... você, no caminho!!! Às vezes, basta um gesto para que a boa sensação nos invada, outra vez... Do avesso! Acho que estou do avesso do avesso!! Será que esse é o lado certo? Me empurraram em um precipício no qual eu não queria estar.... Agora a porta está mais estreita... o vento sopra e quer fechar.... tudo se movimenta de novo... Era uma vez, um amor...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

De repente, Paulo Sant’Ana!



Estou à beira de meus 40 anos os quais me esperam, ansiosos. Talvez, por isso, ando mais sensível e com uma compreensão maior das atitudes humanas ou, pelo menos, sem a ânsia de julgá-las. Quando vim morar no RS, nos meus jovens 16 anos, passei a conhecer um personagem polêmico e famoso da imprensa gaúcha. Uma sumidade na profissão, reverenciado por quase todos. Trata-se de Paulo Sant’Ana. Dono de um texto brilhante, com opiniões contundentes, sempre foi exemplo de honestidade e justiça. Gremista assumido e ferrenho adora cantar e encantar... Na manga, sempre tem uma boa tirada, repleta de humor ácido, daqueles de aplaudir de pé...

Bom, preciso confessar que sempre o admirei como jornalista brilhante, inteligente, genial que é. Como homem, tinha ressalvas, pois ouvia coisas sobre ele que não admirava, ao contrário... essas informações me deixavam longe do ser humano Paulo, mesmo que indiscutivelmente esse esteja atrelado ao profissional cujas crônicas sempre acompanhei, ainda que, ás vezes, à sorrelfa...

Acontece que há alguns , um corajoso Sant’Ana assumiu, publicamente, um câncer, surpreendendo a todos. (Mesma doença injusta que levou de nós, recentemente, meu tio mais querido). Passei a admirá-lo por completo, uma vez que se expôs por inteiro em narrativas pessoais sobre seu drama. Todas suas agruras me fizeram imaginar como meu tio se sentiu em seu penoso e rápido calvário.

Bom, acontece que ontem, durante um aprazível passeio na Padre Chagas, literalmente, topei com um Sant’Ana sentado à mesa de um café. Minha primeira reação foi de euforia misturada com surpresa. Quis abraçá-lo e confortá-lo, mas com qual intimidade faria isso? Resignei-me em outra mesa, pensando nele o tempo todo. Eis que, de repente, sua figura entrou e pediu ao garçom a conta. Foi nesse momento que pedi uma foto.

Debilitado, amparado por sua nova e imprescindível companheira: uma bengala, não ouviu meu pedido na primeira tentativa. Repeti e assentiu. O encontro já havia me tocado sobremaneira e, hoje, ao ouvir sua participação no Sala de Redação, na Rádio Gaúcha, me fez chorar. Isso porque ele também chorou, no ar, ao relatar que não conseguiu sorver dois goles de sopa. Triste. Fiquei sem ar lembrando o que meu tio sentiu, mas nunca nos falou.

Me senti culpada por ter julgado Paulo em algum momento. Que direito tenho de fazê-lo com ele ou com qualquer outro? Todos têm sua própria dor por arcar com as escolhas que fez na vida. Por isso, peço perdão, mesmo que ele não saiba.

Isso me faz ver que nosso tempo por aqui é curto. É preciso plantar mais rosas que espinhos...

Um forte e carinhoso abraço, Sant’Ana.

domingo, 6 de novembro de 2011

Maus profissionais

Como Jornalista e integrante de uma redação comprometida com a notícia como a da Revista Evidência, não poderia deixar de comentar e repudiar a tentativa de aparecer – a qualquer preço – de pessoas que se julgam profissionais de programas ditos humorísticos que empurraram, nessa data (31/10), a colega repórter Monalisa Perrone, da Rede Globo, durante uma entrada ao vivo, no Jornal Hoje.

Pela breve e superficial pesquisa que fiz para apurar quem são os arruaceiros sem noção alguma de respeito ao trabalho alheio, pois não sabem o que isso realmente significa, percebi a preferência em atacar a Globo. Fazem mau uso do humor para disfarçar o mau gosto e a falta de conteúdo, achando que utilizar o tema como blindagem lhes dá álibi para agir dessa forma.

Não importa o motivo nem com qual emissora acontece e, sim, o tamanho do desrespeito, da invasão, do desaforo totalmente desnecessário, da violação de direitos, da desconsideração, do desplante descabido e do nível de atrevimento inútil, que não serve para nada.

A equipe de ignorantes da chamada Merd TV que opta por essas artimanhas não está atacando a emissora em questão – ou qualquer outra que também tenha sido alvo desse grupo que merece punição – e, sim, o direito de escolha do cidadão à informação. Impor, goela abaixo dos telespectadores de emissora A, B ou C, ideias insípidas sobre o que quer que seja, invalida qualquer intenção, qualquer objetivo.

Isso não é democracia. Exercer a democracia seria, caso usassem o seu próprio canal para disseminar suas ideias, justas ou não. Mas oferecendo ao cidadão, a opção de direcionar sua atenção para seus brados.

Ação infantil, inconseqüente, irresponsável, irracional, desoladora e lamentável.

As entidades de classe devem tomar providências imediatas, pois, do contrário, estaremos vivendo em um sistema vulnerável em que ninguém mais respeitará leis, regras de convívio social e todos entenderão que podem fazer o que bem entendem, custe o que custar, em qualquer hora e lugar, atingindo não importa a quem.

A evolução de um ato desses pode ter tragédias como consequências, uma vez que abre precedentes para qualquer tipo de loucura e agressão.

Confiram no link abaixo um texto com maiores explicações e com o vídeo do ocorrido durante e depois da ação irresponsável:

http://f5.folha.uol.com.br/televisao/999433-grupo-se-exibe-atrapalhando-links-ao-vivo-da-globo.shtml

domingo, 14 de agosto de 2011

Tão bom...Mãe

Hoje é Dia dos Pais... Não tenho mais o meu aqui do meu ladinho pra dar aquele abraço e aquele beijo que nem sempre ele gostava, pois não era muito afeito a carinhos... mas ele sabe, de onde está, que pensei nele o dia inteiro... o amor não acaba, fica no peito pro resto da vida...

Como ele não está aqui para ouvir, transferi o Dia dele todinho pra ela, que, na verdade, é minha "Pãe", pois herdou o posto do pai e, por isso, aqui vai um texto que fiz pra ela em uma ocasião que voltava do hospital...

"Sentir novamente a respiração, a pele, o calor de minha mãe...é dela minha vida...sem ela morro.
Tão bom vê-la de novo no mesmo sofá, dobrando os joelhos sobre as pernas como sempre fez...
Perceber que aquele olhar que lança para a TV é o mesmo de sempre...observa-la afagar o cachorro com o mesmo carinho, pedir guaraná no mesmo tom de voz, ralhar comigo por não sair do computador... tão bom tê-la de volta ao lar... porque sei o que é perder alguém... sei o que é sentir o cheiro que ficou nas roupas e saber que nunca mais o verá...sei o que é ver os chinelos no mesmo canto que ele deixou, intactos, à espera dos dedos longos...
Meu peito irradia felicidade em perceber que isso não se repetiu e ela está aqui, sã e salva, me amando..ouvindo bem ainda todos os “te amos” que eu tenho a oferecer..sentindo todos os meus toques em suas mãos quentes...eu a sinto..!!!!! Ela está aqui, convivendo com os mesmos erros e defeitos que cometo e possuo...Mas ela vive e essa linha é tão tênue, frágil, que temos que nos dar conta de que o segundo seguinte pode já ser tarde para dizer, para amar, para olhar e sorrir com o outro...
TE AMO, mãe!"











sexta-feira, 8 de julho de 2011

Adotando um bichinho

Faça sol ou faça chuva, não importa. Leia Machado e seus fiéis escudeiros da Associação de Proteção aos Animais Paz e Amor Bichos estão todos os sábados em frente à Prefeitura de Gravataí. É nesse ponto que organizam, das 9h às 17h, a Feira de Adoção de animais. Bichinhos de todos os tamanhos, idades e raças ficam, semanalmente ali, à espera de alguém que os levará para um lar novinho, no qual pretendem espalhar carinho e amor.

Em um desses sábados eu mesma, Renata Breier Porto - que sou repórter da Revista Evidência e tantas matérias já fiz sobre o tema - precisei dos serviços da feira, pois a convivência entre uma cadelinha filhote que eu tinha e minha mãe, que é idosa, não estava mais dando certo. Teca, o nome da serelepe linguiça, é muito agitada e de tanto querer brincar, se enroscava nas pernas de minha mãe, representando um risco, pois podia derrubá-la, uma vez que a senhora não tem mais agilidade nem reflexos apurados. Bem, pensava que Teca tinha que ir para um lar com crianças e, ao ligar para Leia para me informar sobre como proceder, soube que tinha que levar minha estimada cadelinha até a feira e lá aguardar com ela até que fosse adotada. Caso não fosse, levava de volta para casa e tentaria na semana seguinte.

Foi o que fiz e, ao passar o dia lá, mesmo abaixo de chuva, pude perceber o trabalho sério e importante que essa entidade faz. Quem adota gratuitamente, (é importante dizer isso), preenche uma ficha onde constam perguntas relevantes como onde o animal em questão vai ficar abrigado na casa ou apartamento, se todos da família estão de acordo com a adoção, endereço, telefones, entre outros dados. Isso é para ter-se certeza de que quem vai adotar deseja mesmo um bicho e que vai tratá-lo muito bem. A feira tem sido um sucesso de público e a média de adoção é de 20 animais por sábado.

Por isso, reforço aqui que quem não quer mais um cão ou um gato, pode doar, ao invés de largar na rua ou em quintais alheios. Tem muitas pessoas que desejam um bichinho para dar amor e cuidados. Faça da forma certa. E aqueles que gostam de animais também podem procurar a feira para adquirir o seu.

Leia mantém um perfil atualizado no Facebook com fotos dos bichos ao lado de seus novos donos e com fotos dos que ainda não foram escolhidos através da feira. Adicione-a aos seus amigos e contribua com essa bonita causa o perfil está em nome de: Leia Machado. A entidade está sempre precisando de ajuda voluntária. Qualquer dúvida, mande e-mail para: pazeamorbichos@hotmail.com

Sobre minha cadelinha, a Teca? Encontrou um novo lar, na casa da Tânia e de seu filho Rodolfo, que tenho certeza, vai brincar com ela como merece e dar-lhe muito amor. Ainda posso visitá-la quando quiser, pois quem doa pode manter o vínculo, já que o amor pelo bicho, esse nunca acaba.

- Esse texto está, também, no Blog da Revista Evidência, no www.revistaevidencia.com.br



Tânia e Rodolfo escolheram a Teca e saíram com ela nos braços, felizes.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Os "40Tinha"

Já faz dois meses do meu aniversário, eu sei. Mas fiquei tão catatônica, na ocasião, que não consegui me manifestar por aqueles dias confusos. Agora, um pouco mais conformada, posso falar até pra mim mesma, sobre o assunto. Qual assunto? Bem, é que já consigo sentir os 40 dobrando a esquina da minha casa. E olha que meu cafofo é a segunda moradia da rua!!! Está muito perto, chego a pressentir a trepidação do asfalto, sua energia!!! Mas será que 40 ainda têm energia? Bom, logo, logo descobrirei. O que sei é que já disse aqui, há alguns textos atrás, (é só rolar as páginas anteriores), que os 38 já não me cabiam. Imagine, então, os quatro-ponto-zero que se avizinham (sim, pois estando com 39, sou vizinha geminada com ele!!).

A grande verdade, é que o aniversário de 39 foi uma preparação para o próximo, redondo, pois todos, ou a grande maioria que me abraçava, perguntava, mas em tom de afirmação: “40? Não parece!!” Essa expressão me acompanha desde que saí da maternidade de Brasília, nos braços da minha mãe. Bom, desde lá, de tão baixinha que sou, todo mundo me fez crer que sempre fui mais nova do que minha carteira de identidade teimava em assinalar. No entanto, agora parece que a idade cronológica está querendo se igualar à do espírito e penso que é isso que anda dando tilt na minha cabeça...

Não me sinto preparada para esperar os “40Tinha” me acordarem no próximo 7 de março que houver... percebem que já posso dizer que será o “próximo”??? Não sei se dou uma festa, se junto os amigos, se fujo ou se me escondo embaixo da cama e deixo a idade passar... Vou perguntar à Pita o que é melhor fazer... Sim, porque nos 41 já vou ter tido um ano inteiro pra me acostumar com o novo número e vai estar tudo bem.... tomara.. O que sei é que essa ruguinha no nariz vai continuar existindo, pois essa, garanto, ganhei de presente da alegria a qual pretendo sempre esbanjar. Que venham os dígitos que forem e as rugas também!!!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Momentos eternos ...

Xistian cantando pra mim My Love, no show do Paul...
Sim, ele está chorando, mas de pura felicidade... sim, homem chora. Ainda bem!!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Diante de um Sir ...

                                           Sim, é Ele!!

 

                       Nós curtimos cada nota, cada suspiro, cada palavra...                                          



Nunca pensei que estaria, um dia, no mesmo enquadramento que o Cara lá de cima!!


A tela em branco do computador sempre é um desafio. Estou desacostumada a escrever em primeira pessoa, no entanto, recentemente, fiz a matéria sobre o show do Paul McCartney assim, em primeira voz. Não gostei tanto do resultado, pois aquilo acaba ficando meio piegas já que temos a limitação das linhas, da fonte,  dos padrões editoriais da publicação, coisas que acabam comprometendo a real inspiração.

Por isso mesmo, ainda que tardiamente, venho aqui tentar dizer que aquele espetáculo (sim, foi literalmente, um espetáculo) não foi coisa desse mundo. Pessoas na mesma sinergia, cantando, chorando, gritando existem em todas as apresentações de bandas e afins. Mas aquilo era diferente.

Os profundos sentimentos que invadiram quem lá esteve tinham consciência do por que emergiam, assim, tão intensamente e de que aquilo que a retina de cada um registrava era quase um milagre acontecendo diante de si.

 Tratava-se de um momento raro, imagine a proporção disso, um Beatle, praticamente, em nossa sala de estar. “Ele veio ao nosso reino e fez a nossa vontade, assim na terra como no céu”!!! Os sonhos de umas 60 mil pessoas foram satisfatoriamente realizados naquele inesquecível, histórico, clássico e desbundante instante que durou três infinitas horas de puro deleite e prazer.

Não adianta ficar aqui a tecer histórias de como conheci os Beatles, de quanto suas canções foram importantes e blá, blá, blá, pois a maioria teve começos parecidos e nada acrescenta no tamanho do amor por eles que veio depois. Tá bom, fui apresentada aos quatro Caras, ainda na adolescência, por um de meus melhores amigos que sabia o que é bom em matéria de música.

 Hoje também sei escolher e o refinamento, adquiri ouvindo a discografia deles. Ainda é difícil crer que ele esteve dentro da minha casa e, sem avisar com a antecedência necessária para que me recompusesse do susto.

O intervalo de apenas um mês entre a divulgação do show, a louca compra de ingressos que rendeu uma noite na fila mais algumas boas novas parcerias, isso tudo junto à apresentação, serviu para que a adrenalina estivesse no nível máximo ao ver Sir. Paul, de camarote.

Sim, pois fui praticamente empurrada do meio para a primeira fila por uma senhora que se solidarizou com meu choro que tinha origem em ser baixinha, uma vez que quase nada enxergava. Só mesmo quando as cabeças e braços em minha frente deixavam escapar lacunas entre eles.

E o que falar de quando o vimos, a três passos, no hotel em que escutou pelo megafone que compramos - fruto da boa e velha vaquinha – nossos apelos para que aparecesse? Foi demais ver o aceno da janela e, depois, quando ia entrar no carro e subiu em sua lateral para que, por quatro segundos, cumprimentasse a todos nós, deixando um tsunami de alegria e pessoas devastadas de felicidade em um choro convulsivo, compreendido só por quem estava lá. Um sabia exatamente o que o desconhecido ao lado sentia. Eu estava lá, também vi. Vi um Beatle entre nós.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Fantástico faz bem?

Gente, como é possível a emoção germinar, de repente, durante um furtivo pensamento? Foi assim, domingo desses, assistindo a uma matéria no Fantástico que as lágrimas desceram sem avisar. Vi ali, naquele texto e na experiência de um menininho de oito anos - o Enzo, que fez uma cirurgia para voltar a andar -, minha vida passar em 3D. Obviamente, a matéria era carregada de emoção pelo contexto no qual estava enredada.

Mas minha frestas da memória e do coração foram se abrindo enquanto enxergava aquele garotinho passar por coisas parecidas com as quais tive que trilhar na mesma idade dele, inclusive. Meu sentimento nasceu não do sofrimento de ter experimentado cirurgias e pós-operatórios para corrigir problemas ortopédicos raros, mas sim, de tomar a mais pura consciência de que segurando minha mão, limpando minhas lágrimas, me levando de táxi ou de carona para cima e para baixo (pois nunca tivemos carro em Brasília) desde que nasci, estava sempre, sempre, minha mãe. Essa mulher hoje turrona, difícil, teimosa, que fala grosso quando quer, mas que sabe amar como ninguém foi e é a pessoa mais importante da minha vida. Enquanto me enrolava em pequenos ou maiores problemas de saúde, era ela quem me tirava de cada um, com o cuidado que só as mães conhecem.

Claro que sabemos dessa condição materna, mas, só aos 38 anos, vendo a revista virtual da Globo, tive o lampejo profundo de quão é verdadeiro esse sentimento que nos une. Mais do que depressa, me invadiu a alma uma onda de imensa gratidão e de felicidade desencadeando um choro compulsivo. Na mente, passavam as imagens de tudo o que ela fez por mim a vida inteira, me acarinhando tanto em momentos de fragilidade, quanto de alegria.

Lembrei de quando construiu, com suas mãos de professora de Artes Industriais, uma casinha de boneca, um dos muitos sonhos que acalentei e ela realizou. Para tudo fazia surpresa, guardava mistérios, tecia fantasias, estimulando minha imaginação e adorando assistir às minhas reações. Sua boca era um túmulo, nunca deixava escapar antecipadamente o segredo do presente, do passeio, da viagem, ou da visita de alguém querido. Foi bom, pois, quando chegava a hora, minha alegria ia ao extremo e os batimentos cardíacos retumbavam no peito como um bumbo descompassado. A Páscoa sempre tinha o coelho escondido em algum lugar da casa. Aguçava tanto minha mente, que até hoje, já adulta, juro ter visto um baita coelhão, de madrugada, escondido embaixo da minha cama, agarrado com a cesta de chocolates. (Há quem diga que já era o Xistian, ensaiando para no futuro me roubar as guloseimas pascoais. Hehehehe...) Ela me deu os melhores brinquedos, me presenteou com uma cabana de verdade, depois de me ver fazer tantas e tantas com cobertores e redes, presas por cabos de vassouras, nas poltronas da sala. Recordo-me de ser imperativa nos temas de casa e em insistir para que fosse boa aluna e, por ela, fui. (Pena o feito ter durado tão pouco...).

Quando estive no hospital, por vezes (algumas quase abandonando a vida), foi ela e só ela, que estava lá, lutando por mim. Lembro de entrar na sala de cirurgia e ter como a última imagem, o rosto dela. Depois, na recuperação, me dando força nas fisioterapias, bronqueando quando fazia tudo errado, o que contribuiu para que nunca, nunca mesmo, fosse mimada. Até de vara cheguei a apanhar (duas vezes), de tão peralta que era, mas agradeço cada palmada, chineladas “havaiânicas”, beliscões e puxões de cabelo os quais sei, foram dados por amor e nada mais. Assim como os incontáveis castigos dos quais fui refém na infância e na adolescência. De repente, me toquei que essa mulher guerreira, a qual tanto admiro, que fez muito por diversas pessoas também, infelizmente sem ser valorizada, é minha mãe e só minha. Fiquei tão agradecida por pertencer a ela, ter vindo “de suas entranhas”, como diz o Xistian sobre sua progenitora. Ao pensar sobre tudo isso, chorava e me sacudia, mas de pura felicidade por ainda tê-la, do meu ladinho. "És parte ainda do que me faz forte...", já dizia meu xará, o Russo.

Depois de ter que explicar ao preocupado namorado o surto repentino, corri ao telefone e agradeci a ela por tudo, disse que a amo muito e que sem ela nada seria. Ela é minha vida, meu tudo, quero cuidar dessa mulher todo dia e lhe dar carinho, afeto, beijinhos e abraços. Na outra ponta da linha, como resposta, emoção. Disse-me reciprocidades e fortalecemos os votos de mãe e filha. Ufa, como às vezes, faz bem assistir ao Fantástico.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

NADA DE AFLIÇÕES...



Hoje não sei o que me aflige. Apenas o que me deixa feliz e, nesse quesito, os itens são infinitos. Afligem-me muitas coisas, assim mesmo, no plural. Talvez, por isso, não saiba o singular dessa questão. O tempo, pontual e atleta que não para de correr, é um dos motivos para certas angústias. Também sofro pelo incerto futuro, pelas escolhas, por engolir pererequinhas diárias, por ainda, a essa altura do campeonato, ser incapaz de aprender a dizer não, daqueles enfáticos, sabe? No máximo, balbucio um não tremido, sem força, cheio de sinuosas curvas e de suspiros. Medo terrível de perder minha mãe, meu amor e meus amigos.

No entanto, deixando de lado aflições e angústias naturais do ser humano, posso bradar, com todas as letras e sons, que sou sim, e muito, feliz. Meu namorado, jornalista como eu, o Christian Bueller, para a massa e Xistian, para mim e alguns amigos, assina uma coluna semanal no Correio de Gravataí, às sextas-feiras. A de hoje (27/08/2010) versa sobre a felicidade e nos força a refletir sobre nossas reclamações diárias, muitas vezes, despropositais. Ele se inspirou em uma doce menininha, a Amanda, que é prisioneira dos próprios sentimentos, já que uma síndrome a impede de sorrir e de chorar. A pequena não pode nem contar com as pernas para correr e extravasar alegria ou tristeza, tampouco com os braços, que lhe faltam desde o nascimento. Ainda assim, isso nunca foi empecilho para chegar aos 12 anos, mesmo com dificuldades, e ter um dos melhores abraços do mundo, segundo relato do Xistian (cujo abraço eu considero o melhor do mundo, já que o de Amanda ainda não experimentei). Mesmo que tenhamos lá nossos percalços no dia-a-dia, é mais que importante perceber o lado positivo de tudo o que nos cerca, pois tem gente envolta em situações muito mais sérias e complicadas que as nossas.

Perto dela, tenho vergonha de revelar alguma tristeza ou reclamar que tenho problemas. Meu umbigo berra, em alto e bom som, que tenho mais é que agradecer, pois sou imensamente feliz por ser exatamente quem sou. Quem puder ajudar a Amandinha que sorri com o coração pode ligar para 3486-2252 (Raquel) ou 9189-0571 (Elizete). Quem quiser ler a matéria, tem que pesquisar no site do Correio de Gravataí, edições anteriores do dia 25 de agosto. A coluna sobre a felicidade é do dia 27 do mesmo mês. Deixemos nossos corações mais felizes ajudando alguém, comecemos pela amada Amandinha.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Provando do próprio veneno...

Gente!!!

Estou em falta, eu sei bem disso! Mas as ideias estão aqui, pulando, só falta expulsá-las, devidamente, para a tela. Aguardem mais um pouquinho que já, já posto algo novo. Por enquanto, deixo aqui o link do Blog da Angela, uma amiga minha que adoro. Ela me deixou em uma situação, para mim, inusitada, uma vez que me "forçou" a trocar de lugar e ser a entrevistada da vez, ao invés de inquirir eu mesma, minha fonte. Nesta feita, fiquei do outro lado do balcão e, provando do meu próprio veneno, em uma entrevista leve e gostosa, contei um pouco de mim. Quem estiver um pouquinho curioso, dá um pulinho por lá e aproveita pra conhecer a Angela, uma menina pra lá de especial e linda, podes crer! Beijos! Cliquem em:

http://angelasevergnini.blogspot.com/

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Era Tarde...

Olhos semi-cerrados já estavam.
Pensamentos sob forma de reflexos iluminados não encontravam paradeiro...

A fronha incomodava...
O escuro gritava para afugentar o sono...

O despertar e o correr para as linhas e a tinta era inevitável. Algo me aguardava, ansioso, inquieto ali no sofá!!
De repente, um passear de sinapses desordenadas acontece velozmente, feroz na mente...

A respiração muda. A euforia inunda tudo!
Você me inebria de palavras e com elas me calo!! Escuto! Sinto! Vibro! Renasço!

Escrito em fevereiro de 2007...  e, ora ou outra, ainda me sinto assim...

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Palavrinhas...




Quis não dizer palavras, mesmo que elas estejam pulando dentro de
mim. Mas elas se encontram tão desordenadas, tão sem rumo, que
prefiro não expulsá-las... acabariam sendo incompreendidas de tão
mal(ditas)!!
Às vezes penso que elas são que nem notas musicais, das quais você
bem entende... é necessário que repousem no fundo da viola para que
ao saírem, possam em harmonia, encantar...
Acho que é isso... bingo!!

Acabo de enterder-me!!! Minhas muitas palavras estão me sufocando e
se atropelando na garganta, pois querem sair. Como não as solto,
elas me causam desconforto. É neste exato momento que nasce a
vontade de escrever... de novo..!!
Quando a boca não é mais o caminho normal para elas, eu começo a
querer escrever...

Acho que você tem responsabilidade nisso!! Novamente, obrigada!!
Pois mesmo que o texto nada diga pra outrem, para mim diz... eu me
vejo nos conjuntos de sílabas... em cada uma...
O pensamento cria as palavras que se rebolam pelo esôfago e disputam
espaço na garganta...elas querem ser proferidas, mas ainda estão
imaturas, cruas... nuas...

Olhares... deixemos eles falarem sem palavras... pois eles, eles vão
bem mais longe...tocam bem antes que nós o horizonte!!!
Beijos quiçá, mais macios que os seus...

Janeiro de 2007... ainda sinto tudo isso, mas hoje essas palavras de outrora já encontraram morada e estão  felizes, ora nos teus ouvidos, ora em teu coração....

terça-feira, 30 de março de 2010

Não caibo nos 38

Minhas roupas, até três meses atrás eram do tamanho P, PP ou 34, no caso das calças. De repente, depois de ter o mesmo manequim e peso por mais de 20 anos, vi, estarrecida, algumas peças teimarem em não mais me vestirem. Veio então o problema: não caibo mais nos 34 e os 36 ficam folgados.

Em um primeiro momento, nada entendi, uma vez que nem mesmo havia passado a encher mais o prato. Ao final do primeiro mês, notei que não foram apenas minhas medidas que ganharam quase quatro escandalosos quilos. Outras coisinhas mudaram como algumas ruguinhas a mais em novos cantos do rosto, mais cansaço para o dia-a-dia, um certo ranzizar que faz vaivém no meu humor e que antes faltava a todas essas aulas.

Quando fiz 29 anos, me lembro bem de todas as sensações e dúvidas que incorreram entre meus neurônios. A aproximação contundente dos 30, me dava a certeza de que a fase menina, definitivamente, acabara. Foi a primeira vez em que notei nada poder fazer contra o tempo, que urge, à revelia de todos. Perguntava-me, naquela ocasião, quais seriam meus rumos pessoais e profissionais, o que conseguiria plantar, então, para colher mais tarde? Hoje sei quais foram e que me enganara, pois a menina resistira, bravamente.

Enfim, os arredondados 30 chegaram mais leves do que eu jamais sonhara, sem alarde, sem complicações. Ao contrário, vieram cheios de vida, de novas expectativas e de preciosas mudanças positivas.

Bom, acontece, que nesse março ora chuvoso, ora caudaloso, completei meus nada fofos nem mesmo redondos 38. Nada de mais, uma vez que foram bem-vividos, e super aproveitados em todos os sentidos. Fiz amigos sinceros e alcancei o amor verdadeiro nessa jornada. E esse é só o começo.
Cheguei ao alto dessa idade (só assim fico alta) percebendo que adquiri maturidade para muitas coisas, sem deixar me endurecer por ela, mantendo minhas características infanto-juvenis, o que eu tanto prezo, mesmo que muitos não concordem. Mas, ao contrário dos 30, os 40 que acenam logo ali, na esquina do tempo, parecem um tanto quadrados e difíceis de aceitar, em um primeiro momento. Não sei exatamente o que eles trazem e quais suas funções na minha alma. Daqui para frente, o que vai significar tê-los? Será que serei obrigada a assumir uma postura que não é minha e que não me cabe? O medo é justamente ter que deixar de ser alegre, juvenil ou permanecer assim, e carregar culpa por não “ter mais idade para isso ou aquilo”.

Acabo de descobrir o motivo desse medo: meu layout não combina com a idade cronológica que minha carteira de identidade me revela. Não pareço nem penso como alguém que fará 40 em breve. E não que isso seja pejorativo ou signifique envelhecer além da conta. Não. Apenas sou informal demais, risonha e feliz demais para sentir a idade consumindo as beiradas do meu físico que, inevitavelmente, esmorece. Deve ser por isso, que as mulheres piram com o passar do tempo. Como ter 40, 50, 60, se muitas de nós somos por dentro, as mesmas meninas e adolescentes que gostam de tomar banho de chuva, de falar palavrão, de dançar, de comer sorvete se lambuzando, rir de besteira, de ir a shows de rock, curtir um lindo entardecer e ter hora e outra, atitudes pra lá de infantis? Realmente, não caibo nos meus 38. Quem cabe?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Frágeis laços...



Mesmo andando de mãos dadas com a alegria quase que diariamente, às vezes a tristeza e a melancolia fazem uma visitinha, ainda que seja “de médico”. Não sou afeita a ficar macambúzia, ao contrário, tento olhar o lado positivo de tudo o que nos acontece.

Mas há fatos que inevitavelmente mexem com o emocional, principalmente quando versam sobre questões de relacionamentos entre humanos. Falo não apenas dos que unem ou separam homens e mulheres apaixonados, mas também das relações entre pais e filhos, amigos, irmãos. Enfim, todas as interseções e combinações possíveis.

Noto, quando são precários os laços, que faltam alguns ingredientes e nem sempre é o amor. Pode ser que este até sobre. Aponto, sim, a ausência de comunicação, de diálogo, de olho no olho como um dos itens mais responsáveis pelo desgaste de qualquer relação, até mesmo no trabalho.

Sou muito tudo. Menos só no tamanho, para quem me conhece. Mas costumo ser muito amiga, muito solícita, muito carinhosa, muito falante, muito inconveniente, muito agitada, muito dorminhoca e muito feliz.

Por isso mesmo me pego surpresa, quando percebo frieza, distância, como resposta à saudade, ao carinho, ao amor dispensado por toda uma vida em comum... sinceramente, gostaria muito de entender quando pessoas do teu próprio sangue se afastam sem te explicar o motivo. Por quê???

Odeio mentiras, saídas tangentes afora... a pior coisa é sentir-se só dentro do próprio nicho familiar. Entender que você ama imensamente sozinho, que deseja abraçar e rever alguém do fundo do coração, mas a vontade não é recíproca... ou seja, os laços estão enfraquecidos sabe-se lá porquê...
Quando há uma discussão, uma briga, você sabe a razão, mesmo que esteja com a verdade, houve um ponto de tensão. No entanto, nada tendo ocorrido, pelo menos conscientemente, é difícil entender sem ouvir, sem a verdade ser detalhadamente confrontada com os envolvidos no imbróglio. Mas quando tem a absoluta certeza de que nada fez para contribuir com essa situação, a angústia de não obter respostas é maior, muito maior.

Acho que é por isso que existe a máxima comum de que amigos verdadeiros são os irmãos que podemos escolher, pois os outros vêm a nossa revelia. Família é coisa gostosa, mas complicada. Qualquer uma pode se tornar seu porto seguro ou o seu barco furado.

Ando chegando à conclusão de que sempre tapei o sol com a peneira, disfarçando para mim mesma constrangimentos acontecidos nas minhas fuças viver afora.

Hoje tenho muita dor no peito, mas tomei a decisão de gostar e tratar bem quem gosta de mim e de alguma forma consegue mostrar isso, com um abraço, um telefonema, um scrap, um aceno, um sorriso e até com lágrimas. Mesmo que sejam manifestações esporádicas. Não importa o tempo, nem a distância, mas a intensidade e a qualidade do sentimento.

Valorizar quem me quer bem é o melhor presente, o melhor caminho. Não adianta forçar a barra para ser aceita por alguns parentes. O amor gratuito que sentirá por eles vai estar ali, aceso embaixo dos escombros que deixaram em teu coração. A porta de um amigo sempre vai abrir quando você bater e precisar contar sobre sua felicidade ou fraquezas.

Superar essas dores será o principal desafio de 2010, pois o resto já tenho: meu amor, minha mãe, meus amigos, meu cachorro e poucos familiares que conseguiram ultrapassar o limite do sangue e se tornaram mais amigos que parentes. Que realmente se preocupam e torcem por você. Talvez esse seja o caminho certo. Ou não. Tenho 11 meses para descobrir, só sei que calada, engolindo aflições, não fico mais. Deixo, esse ano, de ser "Polyanna"! Pelo menos, um pouco!


Laços fortes e eternos...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Buzina, pra quê?




Como já mencionei em outro post, dirijo há 10 anos e frequento Gravataí desde 2006. Agora ainda mais, pois moro nessa cidade, onde também trabalho. Portanto, circulo muito de carro ruas esburacadas afora. E põe buracos nisso, meu Deus! De todos os tipos e tamanhos. Pois foi só aqui, depois que comecei a perpassar diariamente esse mar de crateras urbanas, que percebi algo, no mínimo, inusitado. Buzinar, pelo menos na Aldeia dos Anjos, ofende. E muito! Não importa a intenção nem tampouco a intensidade. Mesmo uma sutil e curta cutucada na buzina, acarreta uma reação que pode acabar até em tragédia. É sério!

Bom, não melhor do que ninguém, sei que a cidade é negativamente famosa por não ter muitas calçadas à disposição dos transeuntes e, por isso, criou-se uma arraigada cultura em que as pessoas andam, não no canto dos meios-fios, mas no meio da rua mesmo, ocupando o lugar dos carros. Sei que o problema de não haver calçadas adequadas existe, é real, como ilustra a foto acima. Mas deveria haver o bom senso da segurança.

Fui escoteira (sou escoteira, pois segundo o lema, uma vez escoteira, sempre escoteira!) e aprendi que quando se faz uma caminhada em ruas ou avenidas em que não existem passarelas ou passeios públicos, o indicado é fazer como ensinam também no maternal, na hora de encontrar o recreio: andar em fila indiana, ou seja, como caminham os índios nas estreitas trilhas no meio da mata, um atrás do outro. E nunca, nunca, um ao LADO do outro!!!

Ao me deparar com cinco pessoas ladeadas em uma rua que acabara de adentrar, me dei o direito de tocar, como já disse, sutilmente, de leve, na buzina, produzindo um silvo curto, servindo apenas de alerta. É como se quisesse dizer-lhes: “Olá, estou em um carro e estou passando, cuidado, já que vocês não possuem retrovisores, nem mesmo o pisca. Não façam movimentos bruscos, prestem atenção, pois algo que pode matar está perto de vocês” – afinal, “o carro é uma arma”, como costuma assegurar meu namorado.

Mas, irremediavelmente, ao ouvir o som, essas pessoas têm o ímpeto de me atacar, de me xingar. Juro que não entendo o motivo de tão forte ofensa e pessoal! Certo dia, não faz muito, um homem que ocupava toda a rua com sua parceira e mais três crianças, quis acertar meu pobre carro com um guarda-chuva. Aí eu me pergunto o tempo todo: para quê diabos foi fabricada a buzina então? Para qual finalidade ela existe? Será que é só para atazanar a vida das pessoas em um congestionamento, justo quando nada podemos fazer, a não ser soltar a máxima: “passa por cima!”

Ou quem sabe, buzinar para mulheres na rua, ou, ainda, na frente de hospitais. Para avisar sobre um iminente perigo, aí não pode e vira ofensa? Sei que há quem use a peça sonora para agredir outros motoristas, claro que há, mas não é a essa situação que me refiro e sim, especificamente sobre a relação de transeuntes inconsequentes e buzinas cautelosas. Realmente não entendo. Alguém mais entendido que eu poderia me esclarecer essa estranha reação humana? Façam o teste e me digam se não foram quase apedrejados. Enquanto isso, bom, sigo buzinando. Sutilmente.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Bem-vinda, rotina!


As férias se despedem...


Mesmo que pequenas, as férias servem para que o cérebro arranje folga dos afazeres mecânicos a que está acostumado. Estive por 10 dias longe do trabalho, mas o mundo está tão acelerado que não senti repousar em mim, o real descanso, aquele que nutre o organismo e limpa o HD da memória cotidiana. Em contrapartida, pude estar pertinho dos que mais amo por um tempo maior, ainda que não tenha sido o suficiente. Tudo esteve a contento, a não ser pelo transtorno de passar quatro horas dentro do carro, em um congestionamento causado simplesmente pelo acúmulo de pessoas dentro de automóveis transitando no mesmo local. Ainda bem que meu amor, que me acompanhava, sabia, como ninguém, alternar o silêncio com as palavras e as músicas certas para apaziguar o clima. Sorte que nutrimos uma boa relação, caso contrário, seria um ótimo momento para que brigas se estendessem, já que tempo não faltou!


Parece que a população inteira de Tramandaí decidiu, naquele dia, pegar o mesmo caminho que nós e quase nada amainava a sensação de desespero, de impotência em andar um metro a cada 10 ou 15 minutos. Conto aqui essa exeperiência que muitos como eu tiveram, pois fiquei impressionada, uma vez que dirijo há 10 anos e nunca havia passado por algo parecido. Sei que estamos sujeitos a filas para tudo sempre, mas até para ir à padaria, naquela praia, havia o perigo de só conseguir regressar ao lar após duas horas! Era angustiante ver ambulâncias tentando abrir passagem com suas berrantes sirenes, em vão. Pensava: "meu Deus, quem será que vai ali? Será grave e consegue aguentar?" Sem falar que quando conseguimos sair daquela loucura e pensamos em comprar algo para comer, eram mais horas intermináveis em uma fila igualmente eterna e quase imóvel.


Praia pequena, cujos comerciantes não imaginavam receber tamanho volume de pessoas ávidas por consumir pastéis, sorvetes, xis, entre tantos outros produtos. Não se prepararam com funcionários extras, com mais ventiladores, com máquinas de cartões e, principalmente, com sorrisos para bem atender, item fundamental, ao meu ver. Todos se acotovelavam, limpavam o suor, bufavam, perguntavam e não obtinham respostas. Isso tudo ocorrendo em meu penúltimo dia de férias... cheguei em casa só às 23h, extremamente exausta! No dia seguinte, precavida, rumei para Gravataí com a família ao serem anunciados os primeiros raios de sol e acertei! Nada de congestionamento.


No entanto, o último dia do pseudo descanso, foi de pura tentativa em recuperar as forças esvaídas um dia antes. Afinal, o sol se pôs na praia e lá ficou. Acordei hoje, segunda-feira, com a rotina batendo na porta do quarto, avisando-me que o trabalho me aguardava e com uma fina chuva que amainou o calor e varreu a poeira do desânimo, levando-o para bem longe, afinal, 2010 está a pleno e não espera a ficha cair. Essa é a graça da vida, começar tudo de novo, sempre! Vamos lá, quem me acompanha?

sábado, 26 de dezembro de 2009

Sentir o Natal

Tem gente que não gosta do Natal, acha uma data triste. Eu não, ao contrário. Para mim é um dia muito alegre, que traz boas lembranças, cheiro de farofa feita em casa, de peru assado com fios de ovos.


Me faz recordar do meu pai - que não está mais aqui - quando ele me levava, no dia 24, para ver, no cinema, o lançamento do último filme dos Trapalhões. Era para me enrolar, enquanto minha mãe, muito cuidadosa, armava uma frondosa árvore de Natal, cheia de bolas coloridas e de algodões, imitando a neve.


Quando voltávamos para casa, de noitezinha, estava tudo pronto para esperar o Papai Noel. Hoje me sinto ainda mais feliz por ter consciência de estar viva, com saúde, ter quem amo ao lado e por escolha. Por isso, para mim, é muito fácil estar feliz... porque enxergo em volta e percebo que tudo está em seu lugar dentro de mim...


Hoje, Natal é estar com minha mãe, com meu amor e a família dele, que já virou a minha... é ver a carinha dele abrindo os presentes desejados e escolhidos com carinho por mim... é notar minha mãe feliz, brincando com as crianças, é ver a bagunça na sala da Dona Sandra e querer repetir a dose a cada ano... é gostoso olhar para eles e ter um amor grande no peito para compatrilhar com o mundo... temos emprego, amigos, família e quem nos ame... quer melhor presente?


Fico até constrangida em me sentir tão contente, tendo pessoas sem perspectivas e sem alento em suas vidas... queria dar de presente a elas a paz no coração e jogar fora o sofrimento que por ventura sintam... e daria também, o dobro da minha alegria, pois ela me abarrota o peito...


Hoje vi uma menina dizer à mãe no momento em que sua bola de sorvete caiu: "não tem problema, eu consegui dar duas lambidas...outro dia, quando a senhora tiver dinheiro de novo, me dá outra, né?"... Isso é ser otimista, é ver com alegria e simplicidade até mesmo o avesso das coisas... Assim vejo o Natal, sempre!!!
Boas festas a todos!!!